Demarcações em disputa: o que está em jogo nas terras indígenas do Pará e do Amazonas
A aldeia Sawré Muybu, do povo Sawré Muybu, fica às margens do Rio Tapajós, no Pará. Seus moradores vivem naquele território há séculos. Mas a demarcação oficial de suas terras, iniciada em 2013, ainda não foi concluída. Enquanto isso, o avanço da fronteira agrícola e de projetos de infraestrutura pressiona cada vez mais os limites do território que eles consideram seu.
A situação do povo Sawré Muybu não é exceção. Segundo dados da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), há hoje 237 processos de demarcação de terras indígenas em andamento no Brasil, muitos deles paralisados há mais de uma década por disputas jurídicas, pressão política ou simplesmente falta de prioridade administrativa.
O que está em disputa
As terras indígenas não demarcadas são, em muitos casos, exatamente as que estão na fronteira do avanço do agronegócio, da mineração e da construção de hidrelétricas. Não é coincidência: as mesmas regiões que têm alta biodiversidade e recursos naturais são também aquelas onde as comunidades indígenas vivem há mais tempo.
"Nós não pedimos nada que não seja nosso. Pedimos que o Estado cumpra a Constituição, que diz que nossas terras são inalienáveis. Só isso. Mas parece que isso é pedir demais."